• Ricardo Bombom

DIETA DOS GLADIADORES - O que não te contaram


Primeiramente, deixe eu te falar uma coisa: se você não viu esse documentário, assista! O documentário “Dieta de Gladiadores” mostra os benefícios de uma alimentação vegana ou vegetariana  para a performance e a recuperação de atletas profissionais de todo tipo de esporte. Ele está disponível no Netflix e a produção é ótima, com informações passadas de forma muito didática. 


Agora, vamos ao que interessa, pois nem tudo são flores e nem a grama do vizinho é tão verde assim. A verdade é que os fatos não são tão verdadeiros como mencionam o documentário. Meu intuito aqui não é ser contra os veganos, até porque tenho um grande apreço pela causa e acredito na importância da conscientização do ser humano com o mundo em que ele vive. Mas ludibriar as pessoas para sobrepor uma soberania dos vegetais sobre as carnes também não é a questão. Pensando na nutrição do seu corpo, as proteínas animais têm um papel importante e demonizar a carne não conscientiza a população, só traz mais confusão e medo. Na minha opinião, a informação deve ser dada com o objetivo de conscientizar as ações e as mudanças de comportamento, e não através dos supostos efeitos anti-biológicos como revela o documentário. 


Vale destacar que um dos principais atores do documentário Arnold Schwarzenegger não é 100% vegano como mostra o documentário https://exame.abril.com.br/marketing/schwarzenegger-tem-uma-nova-missao-exterminar-consumo-de-carne/ . Ele diminuiu o consumo de carnes, agora é vegetariano e apoia fortemente a causa em várias propagandas, porém é mais vegetariano do que vegano. 


O artigo que o documentário se apoia (você pode encontrá-lo na íntegra em https://archive.archaeology.org/0811/abstracts/gladiator.html), traz a descoberta de que os gladiadores eram vegetarianos, não veganos. O curioso é que temos uma ideia de que os gladiadores eram extremamente fortes e possuíam corpos bem definidos. O fato é que eles eram conhecidos como “homens cevadas”, ou seja, ao que parece os gladiadores eram gordos. Isso mesmo, GORDOS! Sabe porquê? Simplesmente porque era mais vantagem nas arenas ser gordo do que ser magro. Ter mais gordura cutânea era uma questão de proteção devido aos ferimentos obtidos durante o combate. Faz sentido, né?! Até porque as lutas entre gladiadores eram verdadeiros shows para o público e uma pessoa magra lutando não seria interessante porque provavelmente teria uma morte muito rápida. Como relata o artigo, uma dieta baseada em cevada e legumes, como era a dieta dos gladiadores, pode causar um déficit de cálcio. Em virtude disso, eles bebiam um preparado de cinzas de ossos de cálcio, para repor esse nutriente no organismo. Ou seja, podemos observar que dietas extremamente restritivas podem ser prejudiciais quando pensamos em saúde. 


Com relação à carne, é primordial ressaltar que proteína animal não é uma fonte de energia. Jamais confunda alimento nutritivo com fonte de energia. Carnes ou demais proteínas animais servem para nutrir seu corpo, pois são fontes de aminoácidos e minerais essenciais, não servem para te dar energia. Para transformar proteína em energia, é necessário um grande sacrifício do corpo. Por ser um processo muito complexo para o nosso organismo, que é extremamente perfeito, ele opta por não transformar proteínas em energia, mas sim utilizar caminhos mais simples, como o glicogênio muscular (carboidratos) e as gorduras disponíveis no corpo, que são muito mais biodisponíveis. 


No documentário são citados alguns atletas veganos como sendo superiores aos atletas “carnívoros”, mas na prática isso não é verdade. A atleta Morgan Mitchell obteve a marca de 22º lugar no último campeonato mundial de atletismo (IAAF) de 2019 https://en.m.wikipedia.org/wiki/Morgan_Mitchell . Ou seja, não parece ser uma atleta “de ponta”, por ser vegana, como demonstra o documentário.


O atleta do UFC (Ultimate Fight Championship) Nate Diaz ganhou do rival carnívoro Conor McGregor em uma luta épica que veio aos holofotes da mídia como a luta do Carnívoro X Vegano. Nesta luta, o vegano Diaz levou a melhor. Mas o que o documentário não fala é que este foi o evento UFC 116 em março de 2016, sendo que em agosto do mesmo ano, o Nate Diaz perdeu a revanche para o Irlandês no UFC 202 (https://pt.wikipedia.org/wiki/Nate_Diaz). Notavelmente, não existe superioridade física por ser vegano ou carnívoro e a forma de convencimento utilizada no documentário é um tanto imprudente ao apontar como superior a escolha pela alimentação vegana. Olhe esta declaração do Diaz: “Eu parei de comer laticínios quando eu tinha 17 anos para uma luta. Passei um mês sem comer queijo e leite e, assim que acabou a luta, eu peguei uma tigela de ‘Fettucine Alfredo’ e pensei ‘finalmente vou comer o que eu quero’”. Um tanto estranho, não?! Ele de fato não era totalmente vegano. 


Outro atleta vegano é o Patrik Baboumian. Eu fiz uma busca rápida na internet https://strongmancl.com/results-and-rankings-2019/ e veja só: o nome dele nem aparece no ranking de atletas de elite Strongman da liga que certifica os melhores atletas do mundo. Que doideira!!! Sem falar que ele dá uma declaração no documentário assim: Me perguntaram como eu posso ser tão forte quanto um boi, sendo que eu nem como carne.  Aí eu perguntei “você já viu um boi comendo carne?” Gente!!! Que comparação foi essa, jovem??? 


Grande parte dos experimentos do filme são baseados em amostras que, na ciência, são insuficientes para tornar um estudo relevante, pois foram feitas com pequenos grupos de atletas e populações com uma dieta claramente pobre em nutrientes. É óbvio que oferecer qualquer tipo de dieta balanceada em nutrientes para a população amostra do filme (como bombeiros ou atletas que comiam frango frito) teria grande impacto positivo nos exames. Genteeeeeeeee frango frito empanado, batata frita em óleo vegetal, refrigerante e milkshake https://www.kfcbrasil.com.br/cardapio , como mostra a dieta dos atletas de futebol americano do Miami Dolphins, quando comparada a qualquer dieta balanceada, vai dar resultado, certo? A culpa é do frango??? Nossa senhora né! 

O documentário mostra uma comparação entre amostras de sangue dos atletas que fizeram uma dieta vegana com os atletas que possuíam uma dieta baseada em comida do KFC. Os resultados dos testes demonstraram que os atletas que comiam no KFC possuíam sangue mais turvo, enquanto que  os atletas que já eram vegetarianos possuíam um sangue menos espesso. Veja bem, a forma que é feito a coleta pode alterar totalmente os resultados do exame, veja http://www.tiraojaleco.com.br/2016/05/alteracoes-em-amostras-de-soro-sanguineo.html. Se você passa por longos períodos de jejum, por exemplo, o seu sangue tem uma concentração de lipídios aumentada, pois o seu corpo prioriza essa via como principal fonte de energia. Deste modo os resultados da coleta pode te sido neste caso induzido. 


Outro ponto importante a ser ressaltado é sobre “a carne ser inflamatória”. Não consigo achar de onde veio essa afirmação, pois a carne faz parte da maioria das dietas desde sempre, sendo tal afirmação infundada. A inflamação que pode ser notada em marcadores sanguíneos tem relação com a ingestão de produtos industrializados e químicas derivadas dos realçadores de sabor e conservantes. Da mesma forma, dizer que um hambúrguer tem um grande impacto inflamatório no sangue está muito mais relacionado com a quantidade de produtos industrializados que um hambúrguer contém (pão, molhos, aromatizantes, etc) do que com a carne, que com certeza não é a grande vilã desta história. 

A recomendação de uma das maiores revisões científicas publicadas sobre carnes, problemas cardíacos e câncer é de incluir semanalmente na alimentação uma porção de carne. O estudo concluiu que tanto carne processada quanto carne não processada não causam câncer e nem problemas cardíacos.  Veja o estudo na íntegra: https://annals.org/aim/fullarticle/2752328/unprocessed-red-meat-processed-meat-consumption-dietary-guideline-recommendations-from .


Olha só essa importante informação que eu também desconhecia sobre o ferro heme e o ferro não-heme. No documentário eles apontam o ferro heme como sendo uma substância inflamatória, mas calma lá, você já leu sobre o ferro heme? Ele é fundamental para toda a base fisiológica do corpo humano. O ferro heme está presente em alimentos de origem animal, como carne bovina, frango e peixe, e o ferro não-heme, além de ser ofertado pela carne vermelha, também é encontrado nos cereais e outros vegetais. Ou seja, veganos podem ter uma baixa de ferro heme no sangue, o que pode acarretar em um possível estado de anemia. O ferro heme é solúvel nas condições do intestino delgado, sendo facilmente absorvido pela mucosa intestinal sem a interferência de fatores químicos e/ou alimentares. Por esta razão, é altamente absorvido: cerca de 15% do ferro heme ingerido pelo indivíduo normal e 35% naquele com baixa reserva de ferro. Em contraste, a absorção do ferro não-heme é bem menor, de cerca de 1 a 5%. Além de ter a absorção naturalmente menor, o ferro não-heme pode ter sua absorção prejudicada quando ingerido junto de taninos (encontrados em chás e no café) e de cálcio (encontrado no leite). Veja o artigo na integra: https://nutritotal.com.br/pro/qual-a-diferena-a-entre-ferro-heme-e-ferro-na-o-heme/

O documentário trata também da possível influência que uma alimentação vegana/vegetariana pode ter na ereção/tempo de ereção.   Se você é homem, essa parte pode ser bem impactante pra você, porque obviamente quando se fala ereção/tempo de ereção, isso chama a atenção de 99% dos homens. O homem possui picos e tempo de ereção durante as fases do sono, que podem oscilar sobre diversos aspectos. No documentário foi feito uma comparação entre uma alimentação vegana x carnívora e após a dieta foi feita a medição desses picos e tempo de ereção. Surpreendentemente, o resultado da dieta vegana foi até 300% superior quando comparado com a dieta carnívora. Calma lá, isso é realmente impressionante, pois qual homem não quer aumentar sua performance, não é mesmo? E qual mulher em sã consciência não alertaria o seu parceiro sobre essa diferença tão exorbitante ao ponto de aumentar a performance sexual? Hahahahaha

Tentador, não? A questão é, quando você usa este método para fazer a medição em um homem, a primeira noite é totalmente desconfortante, registrando uma baixa ereção no marcador. Num segundo momento, esse registro aparece bem superior. Ou seja, a performance ser superior está mais relacionada com o método de medição do que com a refeição ingerida. Veja o artigo na integra: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/31134919


O nome do método utilizado é RigiScan e você pode verificar no link a seguir esse posicionamento que confirma ser esse um método inconclusivo para avaliação da tumescência peniana noturna: http://bases.bireme.br/cgi-bin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google&base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=238304&indexSearch=ID


MINHA CONCLUSÃO


Na maioria das vezes, quem consome carne frequentemente interpreta os veganos como pessoas que querem te converter, quando na verdade eles possuem apenas uma escolha de estilo de vida baseada no não consumo de produtos de origem animal. 

Simpatizo muito com a ideia vegana, mas opto por fazer na minha rotina semanal uma baixa de ingestão de carne, por sentir meu corpo responder mais rápido aos nutrientes e não dificultar tanto a parte digestiva, o que me traz um bom conforto durante o meu dia. É importante alertar a população sobre o consumo exagerado de carne e os demais impactos (ambientais e fisiológicos) que envolvem uma dieta rica em proteína animal. Porém, demonizar a proteína animal pode ser um verdadeiro tiro no pé, pois, como mostram vários artigos científicos, a carne tem extrema importância nutricional para o ser humano. Veganismo pra mim é uma questão ética e uma escolha feita por razões pessoais. Da mesma forma que todas as outras escolhas pessoais, o veganismo e o vegetarianismo devem ser respeitados, assim como devem ser respeitados aqueles que optarem por continuar a consumir carnes e outros produtos de origem animal. 


Agora me conte nos comentários o que achou dessas informações que eu trouxe para você.

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